ESLAVOS
O ano é 1870. O vasto território do Império Russo se estende como uma sombra fria sobre o leste da Europa, engolindo aldeias esquecidas e florestas ancestrais onde o silêncio nunca é vazio. Embora a servidão tenha sido abolida sob o reinado do czar Alexandre II da Rússia, a liberdade pouco significou para os camponeses. A fome ainda percorre os campos, o inverno ainda mata, e o medo ainda governa. Nas terras que hoje compõem a Ucrânia, vilarejos vivem isolados do mundo, sustentados por colheitas frágeis e protegidos por crenças antigas. Espíritos da casa observam em silêncio. Criaturas da floresta espreitam entre as árvores. E as águas escondem mais do que reflexos. A fé na igreja tenta conter o caos… mas nem todos os males podem ser exorcizados. Sussurros falam de entidades antigas, cultos proibidos e forças que existiam muito antes dos homens. Nesta terra, sobreviver já é difícil. Confiar… pode ser fatal. No ano de 1870, os povos eslavos vivem espalhados por vastas terras geladas, entre florestas densas e campos que raramente produzem o suficiente para sustentar a vida. Em pequenas aldeias de madeira, famílias inteiras lutam contra o frio, a fome e o esquecimento. A liberdade prometida pelo império pouco chegou até eles — e a sobrevivência ainda depende da terra, do clima… e da sorte. A fé na igreja ortodoxa guia seus dias, mas não apaga as crenças antigas. Pois muito antes dos sinos sagrados ecoarem, os espíritos já caminhavam por essas terras. Dentro das casas, algo observa em silêncio. Nas florestas, há presenças que não pertencem ao mundo dos homens. E nas águas escuras, vozes chamam aqueles que ousam escutar. Os eslavos aprenderam a respeitar o invisível. A deixar oferendas. A nunca caminhar sozinhos à noite.
